Projet / Projeto

Le Projet BALNEOMAR

Ce projet de recherche, décliné sous forme d’enquêtes collectives, envisage d’interroger, sur la longue durée, la production de l’espace balnéaire dans les villes littorales françaises et brésiliennes. Par cette notion nous souhaitons décrire un double mouvement : d’une part la production d’une morphologie spécifique, qui peut se lire à différentes échelles (celle, intra-urbaine, du front de mer, comme celle, régionale, du littoral aménagé) ; et d’autre part celle d’une culture balnéaire, qui se décline également autour de plusieurs dimensions (sociale, avec l’analyse des pratiques et des représentations des habitants comme des usagers et des touristes ; architecturale, avec l’aménagement de dispositifs d’accueil des activités liées au balnéaire – Casinos, restaurants, salles de spectacle, espaces publics consacrés à la convivialité, terrains aménagés pour les activités, sportives ou autres, en plein air…- ; artistique, avec le rôle des programmations saisonnières et esthétique, avec la diffusion sur des supports variés des images de ce mode de vie – films, musiques, photographies, peintures, récits etc ).

Le balnéaire ne se décline pas au singulier

Deux idées principales serviront d’axe méthodologique à ce projet : d’une part, nous considérons que le balnéaire ne se décline pas au singulier, puisque les villes balnéaires font partie d’un ensemble, que l’on peut qualifier de système ou de réseau. Le balnéaire peut également être un élément constitutif mais non exclusif d’agglomérations d’envergure (métropoles, villes touristiques). C’est pour cela que l’étude portera, au-delà des cas emblématiques des agglomérations de Rio de Janeiro et de La Rochelle, sur leurs espaces environnants, et notamment les diverses villes balnéaires, continentales ou iliennes, qui composent leur ensemble régional.

France – Brésil; Brésil – France : circulations, ré-interprétations

D’autre part, le choix des cas français et brésiliens nous permettra de développer une analyse des circulations atlantiques des modèles et expériences, avec ce que cela suppose de transformations et ré-interprétations. Une dimension intéressante de cette mise en relation est que les références en matière de pratiques et d’imaginaire dans le domaine du balnéaire se croisent et s’enrichissent mutuellement entre Amériques et Europe. Néanmoins, bien plus qu’une approche comparée, ce regard attentif aux circulations permettra de privilégier les expériences relatives à la mise en place d’une morphologie spécifique : l’urbanisme et l’architecture des fronts de mer peuvent en effet être réadaptés en fonction des divers rôles assignés à cette ligne littorale. Au cours de l’histoire, les équipements se sont adaptés aux nouvelles pratiques avec le passage du bain thérapeutique au bain ludique, avec la nécessité de compléter les espaces de promenade par l’aménagement ou la mise en valeur de « solarium », vaste espace de sable sec, où il est possible de s’allonger pour s’adonner à la pratique du bronzage qui se popularise au cours du XXe siècle). Aujourd’hui les enjeux de protection des villes balnéaires face aux aléas météo-marins reconfigurent les fonctions et les pratiques des aménagements côtiers. Ainsi des formes d’aménagements « hybrides » conciliant la protection du bâti avec une mise en valeur à des fins de tourisme et de loisirs se développent en France comme au Brésil. Enfin, ce regard porté sur les circulations permettra également de s’interroger sur la diffusion d’un mode de vie caractéristique associé aux nouveaux genres de sociabilité du balnéaire (dont la musique peut être un des vecteurs, tout comme la gastronomie ou la mode).

La ville balnéaire comme machina memorialis 

Ajoutons à cela que la balnéarisation ne constitue pas seulement une autre façon de penser et d’organiser l’espace des villes littorales. Elle ouvre également sur d’autres temporalités et d’autres rythmes sociaux, d’autres pratiques auxquels font échos les diverses animations diurnes et nocturnes. De ce point de vue, la ville balnéaire doit être saisie comme une « machina memorialis, une fabrique de contemporanéités rassemblant des fragments épars de temporalités » (Boucheron, 2012). L’association de géographes et d’historiens sera justement l’un des pivots de ce projet qui consistera à partir de préoccupations du présent (tant celles liées à la gestion des risques environnementaux qu’à celle de la patrimonialisation et de leur réemploi dans des projets d’économie créative) pour remonter ensuite vers les premiers moments du balnéaire. La discussion sur l’enjeu du patrimoine sera donc transversale à ce projet, en raison des transformations de configurations, de pratiques, d’images, de rythmes et de cultures qui ont marqué la production des espaces balnéaires depuis plus d’un siècle et demi.


O Projeto BALNEOMAR

O projeto coletivo de pesquisa BALNEOMAR tem como objetivo analisar, na longa duração, a produção do espaço balneário nas cidades brasileiras e francesas. Esta noção supõe um duplo movimento: de um lado, a produção de uma morfologia específica, que pode ser apreendida em diferentes escalas (tanto na escala intra-urbana, da fachada marítima, como na escala regional, do litoral urbanizado); de outro lado, a produção de uma cultura balneária, que se desdobra igualmente em diferentes dimensões (social, por meio das práticas e das representações dos habitantes, usuários e turistas; arquitetural, a partir dos dispositivos que abrigam as atividades vinculadas ao balneário – cassinos, restaurantes, salas de espetáculo, espaços públicos consagrados à convivialidade, etc -; artística, com destaque para o papel das programações sazonais; e estética, com a difusão do modo de vida balneário em diferentes suportes – filmes, músicas, fotografias, pinturas, narrativas, etc.).

O balneário não se conjuga no singular

Duas ideias principais servirão de eixo metodológico para este projeto: de um lado, consideramos que o balneário não se conjuga no singular, uma vez que as cidades balneárias fazem parte de um conjunto, que pode ser qualificado de sistema ou rede. O balneário pode igualmente ser um elemento constitutivo, porém não exclusivo de grandes aglomerações urbanas (metrópoles, cidades turísticas). Neste sentido, para além dos casos emblemáticos das cidades do Rio de Janeiro (Brasil) e de La Rochelle (França), o projeto analisará também suas hinterlândias, em especial as diversas aglomerações balneárias continentais e insulares que compõem seus conjuntos regionais.

França – Brasil, Brasil – França: circulações, reinterpretações

A escolha de casos franceses e brasileiros nos permitirá desenvolver uma análise das circulações atlânticas de modelos e de experiências, ressaltando suas transformações e reinterpretações. Para além de uma abordagem comparada, o olhar atento às circulações permite ressaltar as experiências relativas à construção de uma morfologia específica: o urbanismo e a arquitetura das fachadas marítimas podem ser readaptados em função dos diferentes papéis atribuídos ao litoral. Ao longo da história, certos equipamentos foram adaptados a novas práticas, como, por exemplo, com a passagem do banho terapêutico ao banho lúdico, ou a partir da valorização do “solarium” (ou seja, a porção da faixa de areia associada à prática do bronzeamento que se popularizou ao longo do século XX). Atualmente, os desafios ligados à proteção das cidades balneárias frente às mudanças climáticas reconfiguram as funções e as práticas da gestão costeira. Neste sentido, desenvolvem-se, tanto no Brasil quanto na França, formas híbridas de gestão que buscam conciliar a proteção do espaço construído com a valorização das atividades turísticas e de lazer. Finalmente, a ênfase nas circulações nos permitirá também analisar a difusão de um modo de vida peculiar associado aos novos padrões de sociabilidade do balneário, tendo como vetores, por exemplo, a música, a gastronomia e a moda.

A cidade balneária como machina memorialis

Acrescente-se ainda que a balnearização não constitui apenas uma outra forma de pensar e de organizar o espaço das cidades litorâneas. Ela também faz emergir outras temporalidades e outros ritmos sociais, outras práticas que ecoam atividades diversas, diurnas e noturnas. Deste ponto de vista, a cidade balneária deve ser compreendida como uma “machina memorialis, uma fábrica de contemporaneidades que reúne fragmentos esparsos de temporalidades” (Boucheron, 2012). A associação de geógrafos e historiadores será justamente um dos pilares deste projeto que parte de preocupações do presente (associadas, por exemplo, à gestão dos riscos ambientais, à patrimonialização e aos projetos de economia criativa) para remontar, em seguida, aos momentos inaugurais do balneário. A discussão sobre o tema do patrimônio será, portanto, transversal ao projeto, tendo em vista as transformações nas configurações, práticas, imagens, ritmos e culturas que marcaram e marcam a produção dos espaços balneários há um século e meio.